agosto 17, 2005

Mãos
Pequenas

Colocaram-te nos meus braços e só pensava que se te deixasse cair te quebravas todo.
Sabia lá o que era um bebé a sério até a essa altura. Pelo menos um assim, nas minhas mãos. E a única certeza que tinha é que ia deixar de ser eu o bebé. E aos quase sete anos de idade essas certezas não tinham piada nenhuma.

Quando me contaram de ti fiquei com a perplexidade indiferente de quem diz que sim e mais que também. Notificavam-me e eu ali, impávida e serena. Não exultei. Escutava a novidade como escutava todas as outras que haviam surgido na minha existência ainda curta. Porque dito daquela maneira mais parecias esparregado liofilizado que era só acrescentar água e já estava. E ainda por cima eu não gostava de esparregado. Mas como as novidades nunca me abalavam e de ti ainda não conhecia o gosto, dei-te por isso o benefício da dúvida.

Depois dei-te biberão, mudei-te fraldas e sei exactamente quando e onde te sentaste pela primeira vez. Porque a andar, isso fui eu que te ensinei. Conhecia de cor o teu vocabulário restrito mais do que qualquer outro, que o meu também não era assim tão alargado. E por vezes sentia que me passavas à frente em tudo (ou eu assim achava). Pedaço de fralda chorão que conseguia tudo o que queria. Eras o bebé, o mais pequenino. E eu já era gente há algum tempo.

Mas hoje, constato que se não fosses tu, nunca teria mudado uma fralda, dado um biberão ou tido um bebé a sério ao colo. Ficaste-me escrito no futuro com as tuas luvinhas amarelas e os babygrows que te faziam parecer uma lagartinha engraçada. Hoje gosto de esparregado e desse passado. Teria feito tudo de novo. E nunca me esquecerei de como fiquei a saber de ti, sentada no chão a folhear revistas de banda desenhada, longe de descobrir que o meu mundo poderia esticar o suficiente para que pudesse caber mais alguém nele.


imagem getty images

19 comentários:

A.Mello-Alter disse...

Está bonito, sim senhor.

Mitsou disse...

Que delícia de post, mana. E ele merece, sem dúvida. Sei o quanto o amas. Beijocas ternurentas :)**

Anna^ disse...

Tanta ternura...!

bjokas grandes ":o)

lazuli disse...

Muito bem escrito. A doçura do texto escorre do teu coração.

Alexandre Sousa disse...

A suavidade de um bébé na doçura de um texto. E tanto amor em cada palavra.

wind disse...

Texto ternurento:) bjs

JMTeles da Silva disse...

Mereces uma beijoca grande por este.
Beijoca grande!

Fernando B. disse...

Magnifica Arte das Palavras escritas com Amor.

Parabéns querida Amiga.

Um grande Beijo,

Adryka disse...

Que post tão querido amiga, és maravilhosa.
Beijinhos

TMara disse...

K doçura :) Tinhas razão: o email estava escondido no perfil. Já lá esta disponível (perfil). Diz coisas. Bjs grande [o mano(?) fez anos ou foi só um doce ataque de ternura?] Coisa boas para vocês

mfc disse...

Regressado de férias cá volto ao giro do costume.
Que palavras doces, sentidas e tão cheias de melancolia.
Lindo de se ler.
Podia ser eu ou qualquer outro a quem tivessem criado com esse amor que mostras.

amita disse...

É um encanto este texto. Tão ternurento, tão carinhoso, que se lê com prazer 2, 3 vezes. Bjinhos

trintapermanente disse...

sinceros, parabéns pelo texto. fiquei simplesmente encantada.

Anna^ disse...

Passei pra deixar uma bjoka de bom fds ":o)

Mitsou disse...

Eu vim com a Anna^ desejar-te um bom fim de semana :) Já percebi, queres a músisca, mas ainda não tenho o pc para ta enviar por mail. Está alojada no sapo e de lá não sei tirá-la...Mas não me esqueço :)) Beijocas muitas!

carlag disse...

Adorei o texto, de coração. Um bebé nas nossas vidas, é sempre algo que nos encanta, encoraja, dá-nos força sempre para lutar.

H. disse...

O teu mano? :)
Este texto comove de tanta ternura...

Faz-nos pensar. A mim pelo menos...

Menina_marota disse...

Há sempre algo que cresce em nós, quando lidamos com um bebé...

Um texto de uma sensibilidade, de uma doçura, que até arranca lágrimas.

Porque o belo, comove...

Adorei ler-te.

Um abraço terno e um sorriso do tamanho do mundo :)

Paula Raposo disse...

Naquele tempo, quando o meu irmão nasceu, eu ainda não sabia mudar fraldas, e de repente deixei de ser o centro do mundo, para o ter de repartir. E foi bom, muito bom. Beijinhos