Existem anos da nossa vida em que até os aniversários são cobertos por mantos invisíveis como teias, tecelagens de aranhas que não vemos mas existem. A vida é uma sucessão de factos que não funcionam como os torneios em que podemos evitar todos os obstáculos... Existem muitos contra os quais temos que ir, numa passada calma, e atravessá-los como se fossem paredes invisíveis mas que nos deixam marcas indeléveis... Não há detergentes para a alma a não ser o tempo. Esse tempo que nos ensina a pouco e pouco a palavras aceitação. E que nos ensina que a vida é para viver assim, desta maneira... momentos felizes e outros menos felizes...A vida permite-nos apenas que nas alturas piores tenhamos evasões fugazes para o reino do desconhecido, buscando respostas, ou que nos passeemos nos jardins do passado, nas praias cobertas por conchas e gaivotas, sós, sempre sós. E é essa mesma vida que acredita que nas nossas deambulações iremos aprender a seguir em frente.
Este ano a vida colocou-me mais uma questão. E na tentativa de encontrar a sua resposta adiei outras situações. Isso fez com que não pudesse agradecer a todos que me desejaram um bom aniversário ou que por aqui passaram por razões que me são muito caras.
Agradeço a todos!
E agradeço também aos que, agora em silêncio, me permitiram existir. Esta delicada mescla de ADN que sei que sou, com um coração que alberga também uma alma.


Um Anjo para me guardar,
