janeiro 06, 2006


Coloco-te no centro do palco
e articulo-te falas, cenas e actos,
domino-te mentalmente
porque tenho essa tendência.
Sou o esclavagista moderno,
não reparo em cores,
nem reverencio dores,
arranco-te a ilusão,
arraso-te, derroto-te.

És o peão principal
do meu xadrez animal.
O meu xeque-mate ideal.
Não me caias nas garras,
tenho-as por demais afiadas.
Sujar-me-ias o tapete novo.
Não me olhes nos olhos.
Só o teu olhar sobreviveria intacto.
Pertenço ao lodo e ao pântano.
Sou o homem que nunca viram.
O carrasco da própria morte.

Quem sabe... a tua sorte?

31 comentários:

O Micróbio disse...

Renovar é uma constante da vida... essa é a nossa sorte!

ernesto esteves disse...

Olá Ana,
Obrigado pelos contactos cedidos através do «plaxo». És um anjo ;)

ernesto esteves disse...

Ora BIBA,
Cá estou eu novamente, para desejar um bon fim-de-semana ;))

Su disse...

quem sabe... a minha sorte!
gostei muito
jocas maradas

AS disse...

Os teus versos o dizem...
Cada poema é sempre um desespero
Impaciente
Que de repente
Quebra o cadeado
Um desespero tão desesperado
Que já nada o limita
Um grito de alma, que necessita
De ser á tua sorte condenado
Carrasco da própria morte.


Raquel, já to havia dito, mas acho que devias escrever poesia!... Este poema tem uma expressão poética fantástica!!!

Um beijo grande

Nilson Barcelli disse...

Já previa que quando te virasses para a poesia irias escrever mais ou menos assim.
Com violência, no limite. Que com o tempo deverá diminuir, depois de teres sacudido muitas coisas que tens ainda para dizer.
E isso é bom, muito bom. Continua, porque este teu primeiro (?) poema, apesar de bom, promete muito mais.
Beijinhos.

titas disse...

mais uma vez genial! (o que já não nos surpreende)

Dás um pulito lá à casota?

Afrodite disse...

não resisti... sabes op que isto quer dizer?

titas disse...

também eu não resisti, diferente, porém!

Mas, juntando os dois, apareces tu: inteira e mais-que-perfeita!

Thiago Forrest Gump disse...

Sorte. Não acredito mais nela!

holeart disse...

os teus meninos dormem até tarde.

em relaçao ao poema...

bom, já te disse o que penso sobre

o que fazes.

charlie disse...

E eu no centro do mundo
Lá onde a morte inverna
O ventre Eterno inundo
Rasgo mais e mais mundo
Das garras do meu esperma.

lazuli disse...

Releio-me em palavras já aqui ditas.

És o peão principal
do meu xadrez animal.
O meu xeque-mate ideal.

Assinalo estas do teu belo poema.

Anna^ disse...

Poema muito forte,até um bocado duro nas palavras usadas...mas é issso q o torna belo.
Ahhh Raquel,tanta coisa guardada aí dentro para nos extasiar!

Bjoka grande ":o)
Uma boa semana

Daniel Aladiah disse...

Querida Ana
Por estes dias tenho lutado contra tudo o que seja morte... sinto um poder insuspeitado, mas que me condiciona em tudo o que faço. Serei o seu carrasco?
Um beijo
Daniel

TMara disse...

poderoso, forte. o ritmo aumenta-he a força e torna-se alucinante entranhando-se em nós. falando de coisas k normalmete queremos ignorar.
Boa semana. bjs de luz e paz e;)

alfinete de peito disse...

Confesso que não sou mt fã de poesia, mas vou seguir esta tua veia artistica pois gostei do que li.

Beijocas.
TEmos dito.

zé das loas disse...

Poema escrito no fio da navalha.

Como se um anjo negro o percorresse, letra a letra, sem rede...

Fixo-me nestes versos: "não me olhes nos olhos
só o teu olhar sobreviveria intacto..."

Beijos

Wakewinha disse...

Tanta dureza nas tuas palavras! Sem dúvida uma forma de declaração diferente...

Adryka disse...

Olá minha querida Raquel, tens um poema muito duro um pouco mesmo frio, assusta-me esa dureza. Beijinhos amiga

Aromas Do Mar disse...

Às vezes gostava de escrever com esta dureza e este realismo em forma de poesia. Gostei muito!

Beijo da Lina/MAr Revolto

Folha de Chá disse...

«Somos todos actores, neste palco que é a vida». Gosto desta frase. E ao ler o teu poema, lindo, lembrei-me dela.

Thiago Forrest Gump disse...

Quando digo que não acredito na sorte, é em forma de metáfora. Sei que ela existe, mas para mim, é uma mentirosa. Acredito muito mais em meu esforço.


Beijinhos.

FF disse...

é a 1ª vez que cá venho e...ainda estou a digerir o que li...apanhou-me de surpresa...gosto...quero mais

Lua disse...

Aninhas que força! Quanta alma aqui vertida! Apetecia continuar a ler-te neste poema.

"Não reparo em cores". Elas na verdade devem ser sentidas e não reparadas.

Entrei e sai apenas para te deixar um grande beijo e desejos de um maravilhastico ano novo.

menina graça disse...

Bem, menina Raquel, isso é que é garra a escrever! Muito haveria para dizer sobre esses "esclavagistas modernos". Mas eu não sei nada destas coisas. Sou uma simples rapariga de bairro! ;)
Beijinhos

GNM disse...

Está mesmo muito bom!
Gostei imenso!

Bom fim de semana...
Fica bem e sorri!

TMara disse...

encanto-me e reeencanto-me com a spalavras e os grafismos.
Bom domingo.Bjs e;)
P.s - sabes k a BlueShell se despediu?
Fiquei triste

H. disse...

«o carrasco da própria morte»...forte forte...

Å®t_Øf_£övë disse...

Raquel,
Já tinha lido estas tuas palavras no blog da Titas. Está realmente espectacular o que escreveste.
Bjs.

daalgempaKu disse...

daalgempaKu_Um olhar diferente
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