outubro 25, 2005

Os telemóveis são, actualmente, o brinquedo preferido dos portugueses. Graças a eles passámos a entrar pela vida adentro da pessoa ao nosso lado, seja na rua, no autocarro ou numa loja, ficamos a saber detalhes perfeitamente entediantes ou verdadeiramente escabrosos, entre explicações sussurradas ou gritos.

Os telemóveis entraram nas suas vidas para ficar, como a batata ou o arroz. Não há horário televisivo que não tenha um anúncio a uma qualquer operadora, marca, tarifário ou inovação. O mesmo se passa ao folhearmos uma revista ou apenas ao passearmos. Não há como fugir. É uma propaganda que nos persegue sem dó nem piedade. E habituados a ela, consideramos normalíssima toda esta informação, que nos leva ao desejo desenfreado de possuir ainda mais um telemóvel. As lojas enchem-se de possíveis compradores, como se de um artigo de primeira necessidade se tratasse.

É mais barato que trocar constantemente de carro, com a facilidade de vermos os nossos aparelhos transformados num porquinho cor-de-rosa ou no num moderno mini computador em pouco segundos. E se de início os toques que fugiam à norma eram apelidados de ridículos e os infractores olhados de lado, rapidamente as áreas de marketing das marcas e das operadoras perceberam que "sair da casca" era uma boa forma de ganhar mais uns trocos e rapidamente inverteram as tendências. Multiplicam-se as ofertas de serviços, imagens ou toques a condizer com a personalidade do utilizador. Os adultos perdem-se e os adolescentes e as crianças adoram.

O telemóvel é reduzido no tamanho mas as possibilidades são inúmeras, desde as diversas formas comunicar - as mais óbvias - à máquina fotográfica - a mais popular - o pequeno aparelho tornou-se num gigante que a todos enfeitiça deixando as operadoras e as diversas marcas bastante felizes.



Por Raquel Vasconcelos
in Jornal
O Progresso de Gondomar

24 comentários:

Angela disse...

Não é à toa que as grandes operadoras de comunicações (fixos incluídos) patrocinam os maiores eventos cá no país. Desde jogos a equipas de futebol. É preciso ter MUITOS euros para patrocinar isto tudo. Onde os vão buscar? Ao preço das chamadas telefónicas. Um abuso, pagarmos níveis tão altos ao minuto de conversação. Os equipamentos, propiciam as chamadas.

maria disse...

É impressionante a "necessidade" que as pessoas têm de comunicação , ou que julgam que têm , é quase um dever. As minhas alunas de 10-12 anos saem de uma aula e religiosamente telecomunicam com as mães a contar o que se passou. Critico-as por não deixarem as senhoras descansadas,mas talvez seja uma imposição das mães.

Tão só, um pai disse...

... tornaram-se, também, um símbolo de status e, como tal, de exibicionismo puro e duro. As vídeochamadas são uma coisa engraçada, quando as saudades pelos nossos mais do que tudo se tornam incomportáveis. O estranho é ainda haverem aparelhos em que a câmara de vídeo disponibilizada para esse efeito se encontrar do lado contrário ao do visor. Como o meu. Grunnnfff!

Daniel Aladiah disse...

Querida Ana
Em tudo isto nada descobri que não fosse para satisfazer uma necessidade ou desejo humanos, como tal... :)
Um beijo
Daniel

mfc disse...

O meu tem 5 aninhos... e como ainda toca e dá para eu falar quando quero... vou-o mantendo!
Procuro manter-me afastado do consumismo!

agua_quente disse...

Um grande negócio, é o que é! Por mim, desde que faça e receba chamadas, está tudo bem! Mas conheço verdadeiros viciados que trocam constantemente de modelo. No findo, é mais um produto da sociedade de consumo.
Beijos

Thiago Forrest Gump disse...

Culpa da Globalização.
Hehehehe

Anna^ disse...

Posso parecer retrógrada, mas a minha vidinha era bem mais calma antes desta "avalanche" de telemóveis...!
Deram-me um modelo novo nos meus anos...acreditas q n sei mandar um raio de uma msg sem ter ajuda ao lado???? dahhhhhhhhhhh
malditos telemóveis q me fazem sentir ignorante!

bjokas 2:o)

Daniel Aladiah disse...

Bendito telemóvel, em que podemos ouvir a cada momento a voz amada, ler palavras de amor, ver quem nos faz bater o coração, exercer a mania de ser Pai/Mãe-galinha, pedir na hora a ajuda que precisamos, etc. Se não precisassemos dele não o usaríamos. Não somos obrigados a nada. A responsabilidade pelo seu uso é só nossa. Por que temos a mania que a culpa do que fazems é dos outros, neste caso de quem fabrica telemóveis e de quem permite as comunicações? Deitem esse mito fora, acordem para a realidade, sejam responsáveis. :)
Beijo
Mistério

JMTeles da Silva disse...

E pensar que há gente que, para se poder contactar, se necessita de pedir autorização? Sim, com telemóvel. Ela há cada uma...!

TMara disse...

tenho esse "bichinho2 mas não sou viciada. As pesoas reduzem o seu espaço de intimidade de uma forma atroz. Não entendo, parece k lhes é tão necessário como o ar k respiram...Coisa estranha. bjocas, amiga

Maria do Céu Costa disse...

O telemovel invade os nossos espaços, sem já dar-mos por isso. A depêndencia já é de tal modo que por vezes ouvem-se pessoas a dizer que já não conseguem viver sem esse objecto de comunicação. Uma postagem que aborda um tema presente. Beijinhos.

jgonçalves disse...

São apenas os reflexos da tecnologia que nos domina.
Já não é apenas chique.
Já não é tão só uma moda ou até uma necessidade.
É uma grilheta que nos subverte como uma droga...

Nilson Barcelli disse...

A propósito disso... quando é que me dás o número do teu telemóvel?
Detesto telemóveis. Fui o último da minha rua a ter um. E só porque me foi oferecido. Resisti até ao limite do possível.
Mas é incontornável. Com ou sem toques especiais.

Também escreves para o Jornal de Gondomar? Pelo que vi és uma colunista de opinião... Vi lá outra pessoa que conheço (a Fina d'Armada) e que deve ser tão altruísta como tu.

Beijinhos.

um estranho disse...

Ola Raquel.
Clara e directa.

A cauda do consumismo está cada vez mais longa. Se o telemovel veio facilitar a comunicação em casos de urgencia, pessoas que viajam sozinhas com frequencia, uma mensagem que precisa ser dada com caracter de urgencia, uma indicação de ultima hora.
Era esta a causa-efeito de um telemovel.

Mas não.
Utiliza-se o telemovel até à indiscrição do INCONVENIENTE.

Fala-se ao telemovel como se alguem estivesse ali ao nosso lado fisicamente.

Aquilo que cada um gasta com o seu telemovel não me diz respeito. Quero lá saber se se gastam fortunas com as conversas nómadas.

O que me faz muita confusao é o que os PAIS gastam em telemovel para que os filhos possam ter o modelo mais actual, mandar mensagens aos amigos a toda a hora.

Obviamente que há pais que podem.
E os que nao podem e sacrificam outras despesas em prol deste consumismo?
que valores são estes?
O que é que esta gente aprende?

desculpa Raquel
estendi-me

Lana disse...

aki estou eu numa visita de medico para deixar um jinho **

Alexandre Sousa disse...

Eis uma crónica que eu colocaria no canto superior esquerdo da primeira página do meu jornal. Por puro merecimento

Su disse...

uso o tele qd necessito e só mudo qd deixa de piar....td bem, cena antiga esta, mas td menos viver viciada em teles, bastam-me os vicios q tenho ...:))))
jocas maradas

GNM disse...

Pois é... Eles andem aí!!!

Escreves muito bem!

Um bjito e uma flor!
Continua a sorrir...

João Scottex disse...

Raquel, como sempre sagaz e mordaz e acima de tudo realista.
O telemóvel, é indubitavelmente um fenómeno, no Mundo, e em particular em Portugal, por ser um utensílio que potencia o que de mau (cuscos, má-línguas, controladores, exibicionistas, etc.) e de bom (comunicadores, estimula a escrita e o convívio) temos como povo.
Propositadamente deixei para o fim a forma como muitos o usam, chegando ao cúmulo de eventualmente se estarem a casar e atenderem o telefone em pleno casamento (na igreja), o telemóvel é a maior demonstração de que somos um povo que evoluiu em liberdade, pós 25 de Abril, sem qualquer tipo de consciência colectiva, a falta de respeito e bom-senso caminham em sentido oposto, todos os "tiques" no uso de telemóvel são sintomáticos qusnto à nossa falta de educação, muito há a fazer para evoluirmos!
Bjx

PS: Tenho uma surpresa singela para ti no blog.

gato-escaldado disse...

tenho uma teoria para os telemóveis: quanto menos se tem para dizer, mais elevado o topo de gama... beijos

UGAJU disse...

Vivemos num mundo wireless. Tão wireless que se sabe que o sexo pode ser transmitido oralmente. O que vale é que nós temos em stock milhões de vacinas!

Nilson Barcelli disse...

Um bom fim-de-semana, sem coflitos mesmo nos telemóveis...
Beijinho grande.

Edgar Cardoso disse...

Muito obrigado por este texto. Já me valeu um trabalho escolar.
Está muito bem redigido. Parabéns!