abril 18, 2009


3.35h

Hoje escrevo para ti. Numa tentativa de que a letra se entenda, mas, sobretudo que passem os sentimentos – como num jogo, falo contigo e depois tiro as minhas conclusões, entendes?
Não te enviei as boas noites com medo de fazer ruído, e sinto falta das tuas. É como se te sentisse a viveres num mundo só teu, em que deixou de existir entrada para mim. O cadeado de que me deras a chave tornou-se inacessível. Está lá mas não se vê. Estás só, na tua luta por uma vida pessoal que finalmente tens a certeza que tem que existir – porque todos os passos já estavam aparentemente dados.
Mas… faltavam pormenores com que só agora te deparas; uma estrada de pequenos nós… E nó a nó vais desatando cada um deles. E absurdamente acabaram por ser todos eles entre mim e ti, na tua mente algo fantasista, nessa mente que não consegue perceber que aconteceram meras coincidências.
Mas porque te escrevo eu neste papel em branco?
Porque tenho umas saudades terríveis tuas. E não, não é uma frase batida. Sinto-o profundamente.
Éramos quase dez pessoas e eu sentia a tua falta. Anotei na agenda do telemóvel o nome do bar para te levar ali um dia - são estes pequenos nadas que nos inventam caminhos que mais tarde sabemos que podíamos talvez ter percorrido. Vidas dentro de vidas.
Naquela noite ias decerto torcer o nariz aos homossexuais, amigos dos meus amigos, para depois também rires com eles e não pensares mais nisso.
Eu ia passar o tempo a desejar beijar-te. Ou então, sabes quando tocávamos ao de leve um no outro e cada um sabia que de seguida nos iríamos abraçar como se fosse a última vez? Ia ser assim, perfeito, se não estivesses a dormir e eu acordada, à espera do final da nossa última cena nesta vida.
E se escrevi tudo isto, meio tonta de sono, é porque não me exprimiria tão seguramente numa SMS de 140 caracteres. Pois infelizmente para histórias como a nossa, o fim não usa caracteres, mas silêncio.

6 comentários:

Paula Raposo disse...

E só numa folha de papel se consegue exprimir o que sentimos...em caracteres de telemóvel tal não é possível. Mas o fim, não existe. Muitos beijos.

jawaa disse...

Infelizmente (ou felizmente...?)há muitas histórias que acabam assim.
Em silêncio.
O tempo mostra depois que há outros murmúrios, outros sorrisos, outros risos.
E damos conta de que é bom que algumas histórias acabem em silêncio para dar lugar a outras mais sentidas, mais serenas e belas.
Um abraço para ti.

Noesis disse...

Viva, a meu ver existe uma dualidade entre os sentimentos e a dualidade artística...

Quando estamos na merda a propensão para criar coisas bonitas é indubitavelmente maior...

Tempo de nos colocar a favor do vento e segur em frente...


Boa viagem!
Noesis

sonhos sonhados disse...

kerida amiga

...palavras escritas,
frases repensadas,
horas menos belas
...e...
finais... de silêncio.

...magnífico texto!

...andas fugida,
porém...
sempre que apareces encantas!

xis létinha

Bichodeconta disse...

Minha querida Raquel, este bichodeconta feito Maria Tonta está de lágrima no olho.. Não de lamechice, se lamechice existe, mas porque senti cada palavra como que o pronuncio de que algo não esteja bem, ou a menina é uma graaaaaande actriz..Esse caminho que parece ir parar em lugar algum, esse nó a desatar-se, como barco cujas amarras se soltam e fica á deriva..Esbraceja enquanto é tempo, não te deixes naufragar.Tenho saudades do teu sorriso.. Um beijinho, Ell

M. disse...

Assim se faz o caminho, entre altos e baixos...