julho 21, 2005

Amor (bom!)
mesmo aos pedaços...


Diz-se nesta vida que conhecidos temos muitos, e amigos poucos. Mas creio que muitas "máximas" que nasceram em tempos, actualmente, começam a tomar contornos diferentes. Porque o mundo gira demasiadamente rápido. Porque as famílias, o emprego, o "corre-corre" de manhã à noite nos deixa de rastos... Quantas vezes nem ao nosso melhor amigo podemos dar a mão, porque exactamente naquele momento alguém da nossa família ou no emprego subitamente teve uma crise... e não há mãos para tudo... Por mais alma ou vontade que se tenha...

Como todos, também viajo pelas avenidas, e se dou por vezes um encontrão em alguém, é raro algo mais que um sorriso que não seja baço e acompanhado de um "desculpe..." meio envergonhado. Esses encontrões, já conheço de cor, não levam a nada mais que a continuidade da solidão na passada que se seguirá.


Mas durante todo o dia 20 de Julho,
senti-me agradavelmente parada na rua,
por amigos, muitos...
por vezes até por "desconhecidos"...
e por isso mesmo apetece-me "falar" um pouco.

Não costumo escrever neste blog, "às claras", sobre a minha vida. Misturo-a com outras vidas, vividas por outros, gente que comigo já passou e ainda passa, anos, horas ou apenas segundos...

Quando descobri que os blogs existiam achei "o máximo". Assim, sem tirar nem pôr, "o máximo". Tinha que ter um e registei o meu.
Mas e depois? Que diabo colocar por aqui? E ainda por cima, pelas minhas pesquisas, na altura a maioria eram "diários". E para "diários" nunca tive jeito. Nunca fui a tempo. Teria que ter iniciado um quando nasci e nessa altura consta que ainda não escrevia. Já tirava a paciência a muita gente, mas escrever nada...

Guardo, na minha casa de solteira, inúmeros "diários" por utilizar - desde com e sem cadeado aos perfumados e às cores - que me foram oferecendo, até desistirem por força da minha idade. Que nisto de "diários" também parece existir uma ética qualquer sobre a data limite para serem iniciados.
Aliás, minto... Não resisti a centenas e centenas de páginas vazias e - em tempos que já lá vão - abandonava fragmentos de escritas que deixavam todos os membros da família de cabelos em pé. Sim, que o mano mais novo gostava de tudo que lhe era proibido e "publicava-me" junto dos restantes familiares. A veia de relações públicas - o extrovertido por excelência - já lhe estava no sangue.

Podem imaginar, por isso mesmo, como se torna fácil começar a treinar formas de não se escrever o óbvio. As analogias que se inventam, os jogos de palavras. Até as mentiras. Trocando até de sexo se necessário. Não magoar, não ferir susceptibilidades, não sermos arautos de nós mesmos a não ser no limite. Não escrever o que também não se verbalizaria, não, não, não... Um número infinito de regras em prol de todos. Seriam outras épocas? Não sei. Foram as minhas. E ainda hoje, só sob uma nuvem de profunda saturação me "permito" quebrá-las. Com uma imensidão de "nãos" ainda a pairarem... Soltando apenas um pouco do vapor que a panela de pressão já não contém.

Assim... Quem está deste lado deste blog, é uma pessoa igual a tantas outras. Com as suas fragilidades e emoções como tantas outras. Sabendo que uns são mais fortes neste ou naquele ponto... E que também as instabilidade se passeiam pela alma humana. A minha, é certamente cheia de pequenos defeitos, pequenos senãos. É quem eu sou. Sem rugas faciais que se vejam, e bastantes marcas nas profundezas da alma... Nada foge ao seu reverso da medalha. E eu muito menos...



Se me perguntarem porque escrevo não sei dar-vos resposta. Talvez porque já em criança ouvia contos imaginados em família, a par de autores publicados.

A simpatia, carinho e interesse verdadeiro com que lêem as minhas crónicas, opiniões ou palavras deram-me uma força muito especial para continuar. Muitos, como amigas e amigos de longa data, não comentam, não deixam o nome e no entanto nunca deixaram de me fazer sentir o seu sorriso por outras vias...

Ao insuflar mais vida ao blog, há algum tempo atrás de forma um pouco drástica - esquecida de que estava a falar em directo para quem por aqui parasse - comecei a ter pessoas que deixam os seus nomes e "formas de sentir" nas caixinhas de comentários e por isso muitas dessas pessoas, de meras "desconhecidas", têm vindo a tornar-se amigas e amigos especiais...

MUITO ESPECIAIS!

.

Nunca esquecerei ninguém. Mas não poderia escrever tudo isto, sem dar um BEIJINHO IMENSO à Titas, uma MULHER ESPECIAL que transformou o "A Páginas Tantas" numa imensa festa de aniversário! Obrigada minha querida e a esse teu grande coração. Gostaria de saber dizer muito mais...

24 comentários:

Mitsou disse...

Primeira? Nem acredito!

Minha querida Raquel, o teu post transmite uma serenidade que me encanta e enche de alegria. Gosto de sentir-te assim, a conversar connosco, a abrir uma alma que já conhecemos pura e amiga. Podia dizer-te muito mais sobre a importância que tens para nós, sobre a beleza da tua escrita, a sensibilidade do teu olhar, tudo, enfim, que faz de ti, isso sim, uma pessoa Especial.Mas tu já sabes e os teus leitores também, não é? Beijinho imenso de ternura e admiração desta tua "mana mais velha" :)

Daniel Aladiah disse...

Querida Ana Raquel
Gostei muito deste teu texto, uma abertura de alma que bem compreendo. Pouco te conheço, mas tenho a certeza que mereces todos estes carinhos e que a vida te irá sorrir ainda muitas vezes.
Um beijo
Daniel

A.J.Faria disse...

Olá, Ana Raquel!
Sou estreante no teu blogue, e uma das razões para efectuar este comentário foi a beleza do do teu post!
Por vezes fico surpreso com a quantidade de blogues que existem, mas com qualidade, infelizmente, extremamente mediocres.
Poucos tem a capacidade de exteriorizar a beleza do seu interior, a sua sensibilidade, o seu lado humano, da forma como o fizeste!
Acho que a blogosfera precisa de uma lufada de ar fresco, e a forma como te abres aos outros é no mínimo altamente edificante!
Excelente artigo!
O "Palavra Entre Palavras" espera por ti!
Um grande abraço.
António

Ricardo Leal disse...

Um simples beijinho.

titas disse...

porra!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Já me puseste a chorar.

Menina_marota disse...

Um lavar de alma, diria, este texto. Reflecte a pessoa que está do outro lado do écran e toda a sua sensibilidade. Gostei de ler-te.
Um abraço terno ;)

RC disse...

Hoje despedi-me de amigos com os quais encontrei afinidades há muito pouco tempo. A alegria dos ter conhecido mistura-se com a tristeza duma separação inevitável (vida de professor como bem dizes).

Tenho gostado de te ver. Obrigado por existires.

Friedrich disse...

Mais ainda? O texto parece longo quando olhamos de alto a baixo, mas no termino, fica-se com uma imensa vontade de continuar a ler, porque sente-se que foi escrito com uma verdade absoluta, além de escreveres muito bem, imprimes nas palavras muita sensibilidade para as mais pequeninas coisas sem importância, o que faz de ti uma pessoa atenta ao que te rodeia. Gostei, gostei muito mesmo, de te ler. E se me permites despeço-me com dois beijos?
Um é de parabéns!

(Via blog Menina Marota)

Tão só, um pai disse...

Raquel, de certa forma, enquanto pessoas, somos todos iguais, mas, individualmente, acabamos por ser completamente diferentes. O que torna tudo mais engraçado.
Um beijinho de bom dia.

Misty disse...

Raquel, ando na "ronda" matinal de bons dias, para deixar beijinhos de fim de semana.

Li este post e só tenho a dizer o seguinte: quando for grande quero saber escrever assim!

Fica bem!

JMTeles da Silva disse...

Raquelsinha, amadureceste! Estás pronta a ser colhida. Está com atenção aos recolectores que por aí andam! Bjokas.
Prontos...já sei que vou ouvir um responso. Mas nân m'importo.
Té à volta.

TMara disse...

sorri com a tua descrição dos (nefandos)diários. Toda a vida escrevi, mas minha relação com esses bichos k nos ofertvam foi mtº parecida com a tua. Emocionei-me com a verdade desta escrita. Bj grande ebom f.s

Ana disse...

passei por aqui só para te dizer olá... e pareceu-me que estás feliz.... ainda bem...

jokas

mfc disse...

Um blog é um estado de alma, como costumo dizer.
Aqui não há regras... escreve-se apenas o que se sente.
Umas vezes para nos ouvirmos... outras para que nos ouçam!

Eva Lima disse...

Gosto de pertencer ao clube dos teus amigos
bjinhos

MaDi disse...

Engraçado.
Tive o mesmo sentimento ontem. :)
Beijinhos

A.Mello-Alter disse...

Ainda bem que a dor de cabeça já lá vai.
Vais perdoar-me por te ter dado mais um ano? A culpa é da Titas.
Quando precisares, eu tenho tempo e sou bom a ouvir.

Alexandre Sousa disse...

O tempo e o espaço perfeito, a leitura de prazer. Ora Raquel, ou não fosses tu uma criativa. Das letras é evidente, da imagem tenho a certeza. E então eu que partilho mais de oito horas por dia com criativos. Bom fim de semana

BlueShell disse...

Gostei de vir aqui...
Voltarei.
Jinho, BShell

TMara disse...

já estás mm bem? Estimo. Bom f.s Bjs e ;)

Wakewinha disse...

Minha querida homónima,

Fiquei muito mais rica agora, depois de ler as tuas palavras.

Nós é temos a agradecer-te!

Um beijo muito grande de bom fds.
*R.

antoniojaneirofaria disse...

Ana Raquel!
Como já fiz um comentário a este post, venho só pedir a tua opinião ao novo post do "Palavra Entre Palavras".
Um abraço e bom fim de semana.
António

serpa disse...

olá! vim agradecer-te o comentário. Sim, ultimamente tenho escrito de uma forma mais pessoal, e articulo as ideias muitas vezes sem ter em conta que os visitantes não vão provavelmente perceber o porquê do encadear das ideias daquela forma particular. è porque tenho tido várias coisas em mente devido a alterações recentes na minha vida, e isso reflete.-se nos textos, que incorporam mais conceitos, todos meio embrulhados uns nos outros. se reparares nos primeiros textos foco-me mais numa questão particular, que tento abordar de forma indirecta mas com o máximo de carga expressiva. Mas concordo contigo, acho que exagerei no "embrulhar" dos conceitos, para a próxima vou tentar um texto mais coerente! Obrigado pela visita!!

mgbon disse...

Já passei por aqui um dia e disse
que tinha gostado. Ainda bem que vieste p'ra ficar. É interessante esta experiência de escrever e dizer de nós o que nos vai cá dentro. É de certa forma um espaço em que podemos ser nós ou quem queríamos ser. De qualquer maneira é sempre um espaço dedicado à liberdade e só por isso, já é de louvar!