fevereiro 11, 2004

Em milésimos de segundos somos tudo

Não dormi. O ponteiro dos segundos não se animou um milésimo de segundo a mais por mim. Durante a noite silenciosa, senti o sussurro dos que bateram à porta sem se anunciar, o sussurro dos que disseram amar-me, dos que me leram poesia e saíram de mansinho. Senti o vento.
Senti águas escorrem por canos que desconheço, lembrando-me que o meu corpo continua em movimento, e que todos esses segundos são vitais.

O silêncio que me envolve, recorda-me que se fosse pássaro não estaria aqui, numa gaiola caiada pela mão do homem. Quando a claridade surge, mesmo com o frio cortante da manhã, observo o todo. São as fugas, forçadas, ao dia-a-dia que nos constrangem os movimentos, que por vezes nos tornam mais completos...